sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Livro

As mães de Chico Chavier (Pag. 226)

DR. Thadeu Merlin
Divaldo Franco

Ele era jovem e era sonhado, como todo jovem. Estava concluindo o curso de medicina na Universidade de Los Angeles, na Califórnia, EUA. Havia se apresentado como um exelente estudante. As suas eram notas relevantes, respeitável a sua cultura.
No entanto, adotava um comportamento esdrúxulo para a época. Asseverava o estudante Thadeu Merlin que a eutanásia era o melhor processo terapêutico para os doentes irrecuperáveis. Aplicar a eutanásia representava um ato de compaixão, uma atitude de misericórdia para aqueles que se encontravam em estágio mais agônico da sua existencia.
É óbvio que essa tese absurda provocava nos mestres e nos colegas compreensível reação. E todos diziam-lhe:
- Mas Thadeu, a função da medicina, claro, não é impedir a morte que é um fenomeno biologico. Mas é tornar a vida mais digna. Prolongar a existência, ensejar uma sobrevida de acordo com os processos terapêuticos defluentes das conquistas cientificas.
Mas o jovem era obstinado e dizia:
- Quando eu receber o diploma legal e enfrentar um paciente que seja vítima de uma enfermidade degenerativa, de um processo para o qual não há a mais m;inima esperança, no silêncio da noite, eu praticarei a medicina da compaixão, a eutanásia, e evitarei que a pessoa sofra; ao mesmo tempo aliviarei a família de uma carga insuportável.
Os amigos teimavam, porém Thadeu Merlin mantinha a sua teoria. Não podemos modificar a estrutura do pensamento das demais pessoas.
A Califórnia periodicamente é vítima de duas tragédias anuais.
As cheias que acotecem no verão e as grandes queimadas - a combustão espontânea das florestas que se encontram em derredor das cidades.
Foi numa dessas calamidades, uma grande tempestade que se abateu sobre Los Angeles, que a vida de Thadeu Merlin deveria modificar o seu roteiro completamente.
Vários desabamentos, pedidos de socorro para o hospital de clínicas, os hospitais particulares sobrecarregados, e por fim uma chamada estranha.
Era uma chamada que vinha de um bairro de pessoas miseráveis. Imigrantes europeus que ali se encontravam homiziados, sem receber qualquer assistência governamental. Mas aquele apelo era muito peculiar. Tratava-se de uma senhora visivelmente ignorante que era aparadeira.
Ela dizia que estava tentando salvar duas vidas - uma gestante no ato do parto, um parto que não se consumava. Apesar das dores lancinantes e das largas horas em que a gestante estava para dar a luz, tudo indicava que a vida da criança seria impossível e consequentemente tamb'm de sua mãe.
Ela pedia que fosse de imediato uma ambulância para levá-la ao hospital para o parto, talvez uma cesriana, fosse lá o que fosse.
A atendente explicou que era impossível. Não apenas pelos alagamentos, pelas casas que haviam ruído, as estradas intransitáveis, as avenidas... mas também porque o hospital estava superlotado.
Todos os centros cirurgicos estavam com fila de espera. Os corredores abarrotados de pessoas colocadas de qualquer forma, vítimas dos acidentes de várias natureza.
Mas a pessoa insistiu de tal forma...
- Vocês não têm um médico disponível¿ Uma pessoa que pelo menos possa vir dar-nos... socorrer-nos... Uma pessoa qualquer do hospital¿!
A atendente olhou a lista do plantão e, depois de examina-la toda, percebeu embaixo o nome do estudante Thadeu Merlin.
Era ainda quintanista de medicina. Não tinha muita experiência, estava ali também de plantão.
Ela chamou pelo serviço interno do hospital e explicou-lhe a condição de emergência.
Apesar da teoria de Thadeu Merlin, ele era um jovem de sentimentos elevados. Era uma distorção de interpretação das propostas da medicina. Quando ele soube do drama:
- Pois não, poderei visitar.
E ofereceu-se com maior prazer, a mais ampla disponibilidade.
Foi encaminhado a um obstetra, levado a um lugar próprio, recebeu instrução apressada, foram-lhe oferecidos alguns medicamentos de emergência e ele partiu numa ambulância.
Thadeu Merlin era socialista e lutava contra as injustiças sociais. À medida que ele saía daquela Los Angeles dos astros de cinema, das personalidades poderosas do petróleo, dos grandes executivos, e acercava-se da periferia, dos bairros miseráveis que são iguais no mundo inteiro, e adentrava-se mais aos pardieiros prestes a ruir, não pôde sopitar uma revolta surda contra as leis injustas.
Então chegou ao local cujo endereço ele carregava. Era um pardieiro de três andares. Thadeu Merlin com a sua mala de instrumentos e medicamentos subiu a escadaria. Encontrou em cada vão das escadarias sujas, de madeira velha, crianças esfarrapadas, miseráveis sociais, miseráveis por desnutrição, e quando chegou ao andar indicado a porta estava aberta. Era um velho apartamento, uma cama de ferro, uma mulher sobre ela, quase desmaiada, e uma senhora que dizia:
- Doutor, não há jeito para essa mulher. Desde ontem à noite. Note, já é quase noite, ja se passaram mais de vinte horas, ela com dores insuportáveis e acriança não está localizada. Mas ela é culpada. Imagine que é mãe de sete e ainda se atreveu ter mais outra gestação. O marido não aguentou, é claro. Pediu que ela abortasse. A solução era o aborto, mas ela se negou. O marido disse: "Não conseguimos alimento para nove. Como vamos conseguir para dez¿ Ou você opta pelo seu filho, ou por mim! " Ela resolveu pelo filho, e ele se foi. Aí está, desnutrida, miserável e agora vai morrer e a criança também.
Thadeu Merli não ouviu direito essa arenga. Acercou-se da mulher, examinou-a.
Realmente a criança não estava em posição de parto. Ele olhou para aquela mulher muito pálida, suarente, com colapso periférico.
Aplicou-lhe uma injeção para provocar a reação orgânica para as contrações. Não tinha outra alternativa, senão aguardar.
A chuva havia parado e aparecia longe um crepúsculo de fogo.

As nobres palmeiras de Los Angeles. A cidade monumental, e, a certa distância da montanha, a legenda "Hollywood", o mundo de sonhos e fantasias.
Ali era a realidade!
Ele aproximou-se da janela e contemplou Los Angeles iluminada. Era um céu de estrelas elétricas. Então, ele se lembrou de Deus.
Fazia tempo que ele estava de mal com Deus. Desde quando ele se adentrara pela universidade, que se divorciara de Deus.
Mas agora que ele se encontrava ali, olhando aquela mulher que estava morrendo e a criança que ia morrer fatalmente, ele resolveu conversar com Deus, e disse-lhe:
- Se vc quiser os dois serão salvos. É opção Sua! Eu aqui estou, utilize-se de mim.
Uma emoção imrrompeu-lhe e ele começou a balbuciar o "Pai Nosso".
Quando estava naquela frase "perdoa as nossas dívidas", a mulher gemeu. Ele voltou-se. A mulher estava com as marca do parto.
Ele acercou-se e, é claro, daí a algum minuto a criança nascia.
Ele estava emocionado. Foi Deus que o atendeu ou foi a injeção que ele aplicou¿ Talvez as duas coisas. Elas conjugam-se.
Então ele pegou a criança, limpou-a, seccionou o cordãoumbilical, colocou ao lado da mãe, sobre jornais.
Ia ser um miserável a mais. Tirou da caderneta o lápis e começou a anotar o que seria o prontuário quando chegasse ao hospital de clínicas.
Calculou o peso da criança, anotou a hora, a data e, quando ele foi medir, deteve-se porque a criança trazia uma problemática congênita. O pé direito era voltado para trás.
Ele então blasfemeou:
- Tanto esforço para salvar um coxo! Será um desgraçado. Ao frequentar as escolas ou a escola, caso vá, ou no meio da rua experimentará o apróbio, a chacota das crianças. A criança tem instinto zombeteiro. Sempre coloca apelidos deformantes. Irão chamá-lo de "o coxo", " o rengo". Irão gargalhar e ele vai se tornar um bandido, porque vai querer desforçar-se, vai terminar cometendo um crime. Eu poderei salvá-lo aplicando a eutanásia. A mulher será testemunha- ela havia subido ao seu piso para atender à família imensa. Eu vou lhe aplicar uma injeção e direi que morreu em consequencia do parto.
A criança estava adormecida e a mãe também.
Thadeu Merlin preparou uma substância letal. Segurou o braço magro da criança e disse:
- Sou agora um deus. Tenho o direito de vida ou de morte.
E quando ia aplicar, a consciência, que parecia anestesiada, despertou e gritou-lhe:
- Que tens tu com isso¿ Se ele vai ser rengo, problema dele. Se vão chamar de coxo, problema dele. A tua tarefa está cumprida, sai daqui.
Era a velha consciência!
Ele olhou para ver se era alguém que lhe falava sobre isso. Atirou fora a substância, fechou a mala, desceu a escadaria, voltou ao hospital, doutorou-se, foi morar no centro-oeste, especializou-se em pediatria, casou-se, amealhou uma boa fortuna, teve uma filha.
A filha de Thadeu merlin eram os olhos da família. Podia-se dizer que ele e a esposa viviam em função da filha idolatrada, que cresceu, foi estudar medicina, casou-se com um médico e tornou-se mãe.
A verdadeira felicidade não é ser pai, é ser avô. Há até um ditado que diz: "Avô é um jumento que o filho adestra para o neto montar. "
Assim era Thadeu Merlin. A grande verdade é que aquele homem rígido, severo, agora era um avô meigo. Era ainda um homem de cinquenta e poucos anos, mas era gentil.
Sempre diziam: "Os pais de hoje não sabem educar. Porque a função do avô é deseducar o neto que o filho pretende educar. "
Fazia todas as vontades à menina, que era um sonho de criança. Era loura, de olhos azuis, gentil e amorosa. O casal Thadeu e Senhora Merlin eram os dois apaixonados pela netinha.
Quando Barbára, a netinha, completou quatro anos, a família estava morando em Los Angeles porque os pais foram concluir o doutorado. Dr. Thadeu e SR. Merlin não podiam viver sem Barbára. A vida não tinha mais sentido. Já tinham uma certa fortuna. Mandaram construir duas mansões e foram residir próximos para poderem vigiar a educação da criança. Era essa a confiança.
Numa nova tempestade de verão, pela madrugada o telefone soou na casa do DR. Merlin. Ele atendeu automaticamente, hábito de médico, e uma voz, com tom quase saturno, perguntou se era realmente a residência do Dr. Merlin. Ele anuiu. E a voz dizia:
-



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Carta

Esta carta foi escrita por um paciente que fez cirurgia cardiaca no Hospital Geral.
O nosso maior presente é ver que o trabalho valeu!!!!
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